A nossa história

Mais de 100 Anos de História


No dia 28 de maio de 1923, o Senhor Manuel Alvarez y Castro proveniente da Galícia fundou o Restaurante Rio Grande. Situado num Edifício pombalino, feito após o terremoto 1755, na Rua Nova do Carvalho, 55 e da qual era senhorio o Exmo. Sr. Conde de Thomar. Inicialmente recebeu o nome de Restaurante Campo Grande. O seu interior foi adornado com  azulejos tradicionais Viúva Lamego do século 18 e as suas salas divididas entre uma adega e uma taberna.

O Sr. Manuel teve duas esposas e 12 filhos. Estes herdariam o pequeno império, que consistia no Restaurante Campo Grande, uma adega na região do Montijo, uma distribuidora de vinhos, entre outros negócios. O vinho vendido no restaurante era trazido em tonéis da adega do proprietário através de embarcações a vela que atracavam no Cais. O vinho depois, era distribuído através de  carroças, o meio de transporte mais utilizado na época.

O primeiro piso do Restaurante serviu como moradia para os proprietários e 23 funcionários. Haviam 3 tanques em pedra que serviam para lavar à mão as roupas, incluindo as roupas das salas do restaurante, sendo todas engomadas com ferro a carvão.

A partir do 25 abril, os donos decidiram mudar o nome do Restaurante. Notaram que os taxistas começaram a enganar os turistas que lhes pediam para os levar ao Restaurante Campo Grande. Levavam-nos a uma Churrasqueira na região do Campo Grande. Desde então alterou-se o nome para Restaurante Rio Grande. Foi nesta altura colocado o famoso letreiro luminoso em Néon que ainda hoje caracteriza a nossa fachada.

Dividiram-se as salas do restaurante em dois ambientes distintos. Na qual um seria utilizado como casa de pasto, com serviço de balcão. O outro lado seria um restaurante de luxo, com gabinetes e sofás grandes, com clientes mais seletos. Vários políticos e pessoas famosas costumavam frequentar o Restaurante, pelo nível de descrição e elegância que ali encontravam.

Depois da morte de Manuel Alvarez y Castro, os filhos mais velhos ficaram a gerir o Rio Grande. Uma parte dos mais novos a trabalhar em outros restaurantes na zona do Cais do Sodré, enquanto outros retornariam a Espanha. Outros negócios seriam vendidos.

Após alguns anos os filhos mais velhos decidiram ceder quotas do Restaurante aos funcionários mais antigos, que pensavam em abandonar o trabalho. Foi assim que o Senhor Constantino se tornou um dos primeiros sócios não sendo pertencente a família Alvarez y Castro. Constantino veio para Portugal juntamente com o Manuel Alvarez y Castro aos 13 anos de idade. Trabalhou  em vários negócios da família Alvarez, até se tornar dono permanente do Restaurante Rio Grande.

A Rua Nova do Carvalho, depois de um projeto de intervenção urbana em 2013, passou a ser uma das ruas mais movimentadas à noite. O pavimento entre as esplanadas, bares e discotecas foi pintado de rosa. Hoje em dia é uma rua exclusiva para pedestres e uma “galeria de arte ao ar livre”.

Em 2019, os empresários Conor Gillen e Gaby Orain, donos estabelecimentos de restauração na zona do Cais do Sodré adquiriram o Rio Grande do Constantino. O restaurante passou por renovações, como os chapéus coloridos que foram uma iniciativa do donos em homenagem ao dia do Orgulho. Hoje é um dos sítios mais turísticos e atraentes de Lisboa.

Fachada do Restaurante Campo Grande em 1935.

Manuel Alvarez y Castro em 1959.

Chapéus Coloridos na Rua Nova do Carvalho, 2021.